Amor de Maria

Capela dos Dendezeiros - Maio, 2009

Mabel Velloso

Mateus 22-34,40 - O verdadeiro discípulo segue o espírito da Lei do Senhor. O maior Mandamento da Lei é: amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma. Amar é o primeiro mandamento. É a Lei primeira. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Quem teve amor maior que Maria? A dimensão do Seu sim nos faz pensar em Seu desmedido amor. Numa noite para cantar as graças de Nossa Senhora o melhor acorde é o amor! Acordar o amor! Acordar para o amor! Amor, palavra que está gasta entre os homens. Amor que parece andar escabriado, envergonhado. Tantos esqueceram o amor que ele vive se escondendo dos que se lembram dele.

O ano de 2009 está chegando ao meio, derramando crise, preocupação e muita chuva sobre nós. Maio chegando ao fim e todos nós esperando o veranico de maio, as bênçãos de maio, os amores de maio.

A Igreja cheia de gente que reza, canta, chora, ri, pede, confia. Todo maio enche os corações dos fiéis de esperança. Através das horas, quando os sinos batem e os corações também, rezamos a Ave Maria como quem pede socorro. O socorro do amor que está fugindo do mundo. Ave Maria cheia de graça, dai-nos a graça de encontrar o amor, a graça de saber amar o irmão!
Porque o céu está com nuvens grossas e escuras nem podemos olhar as estrelas que nos guiam. O Cruzeiro do Sul que derrama a força do amor que vem da cruz sobre o Brasil está escondido. O amor que ele simboliza está sumindo atrás do nevoeiro. Aguaceiros derrubam casas e a dor do desabrigo se espalha mais que a gripe suína, mais que a dengue. O povo sofre o frio do abandono. Crianças choram de fome. Cestas básicas levam migalhas que somem diante de tanta boca faminta. Além da boca muitos corações estão famintos. O amor não vai para dentro deles nem sai deles para outros corações. Será que há jejum de amor? Parece que se diz: cadê o amor que estava aqui?  O gato comeu! Não, o gato é mansinho. O próprio homem é que quer destruir o amor, jogar longe, esquecer...

Que brincadeira é essa que se quer fazer com o amor? Me empreste o amor... Vá ali! Me empreste o amor... Vá ali... Onde devo ir? Sigo em frente, o amor não some. Deve estar como agulha num palheiro, mas vou encontrá-lo. É maio! Mês de Maria Rainha do Amor. Chamo por Ela. Que Ela chegue e receba os louvores, os cânticos, as preces, traga de volta o amor em Seu manto azulado.

Olhando os Altares os nossos olhos se enchem de lágrimas e nossos lábios repetem as rezas de fé e esperança. Se o mês é de maio é mês de Maria, Maria é amor! Que Nossa Senhora nos bote no colo, nos embale e abençoe e nos mostre o caminho onde o amor se escondeu. Vou sair perguntando: O amor passou por aqui?Quem sabe vocês me possam dizer: passou, está aqui na Capela da Vila Militar, brincando de esconde / esconde para me fazer correr pelos quatro cantinhos da Avenida Dendezeiros, até chegar à Colina do Bomfim? Lá por certo o amor se derrama. Desce a ladeira e quer se espalhar na Cida- de inteira. Aqui a Capela está cheia. Todas as noites o povo aqui chega para ouvir lições do Evangelho e sabe de cor que o maior mandamento é amar, ter  amor. Daqui sai a lição. Para cada casa vai o ensinamento, vão as bênçãos que aqui se derramam. Mas a muitas ruas, muitas ladeiras, aos becos, às pontas de rua o amor não quer ir. Ele se acanha por- que não anda só. Precisa da solidariedade, da união, da partilha. Em muitos lugares fica um vazio, um gelo por dentro de tantas pessoas que vivem sem amor. Se não têm, não podem dar. Se não dão não recebem... É uma bola de neve de um vazio amoroso.

Um dia de maio é o Dia das Mães. Os filhos esquecem passado e futuro só pensam em presente. Não o tempo presente. Lembram o presente comprado nas lojas, nos shoppings. A mãe só deseja presente embrulhado em ternura, amor e agrado. Mas não é esse o presente que lhe dão de presente. São caixas vazias do amor esperado. Está em tempo ainda de gritar pelo amor! Ele deve andar por perto, junto de um berço  quem sabe, cantando uma canção de ninar? Junto a um bercinho o amor sempre vive, o amor não acaba. O amor que era leite saído do peito vai sempre vingar. Não se pode esquecer o embalo, o colo, a mão dada, segura, levando pra frente. O amor vai vencer.    A esperança o carrega! As esperanças de maio sempre vingam! Vamos rezar, pedir amorosidade!

Tanta casa sem amor, a mãe moça ou velha tentando mostrar que o amor está vivo. Olhando a palma da mão vendo o M estampado lembra Maria, a Nossa Senhora Rainha do Amor. Quer segurar o amor que nas linhas mostra o M de Mãe, Mulher, Maria, Milagre. E tanta gente fazendo do amor “gato e sapato”  esquecendo que o amor pode nos salvar.

As mães, todas elas, magra, gorda, preta, branca, calma, nervosa, cada uma com um jeito, um cheiro, feliz ou não, sabe chamar o amor. Nesta noite que as mães o chamem e a Mãe de Deus nos ouça e derrame amor em nossas famílias. Que o amor chegue no corpo e na alma e salve o mundo. Que nenhuma mãe chore porque o desamor pegou uma arma ou o volante de um carro e matou o seu filho. Pai e mãe sofrem juntos por causa do desamor. A mãe briga com o filho e se arrepende e chora, castiga os filhos e se sente castigada. Em cada uma, um coração bate e apanha por eles. O tic-tac segue dando e buscando amor. Coração materno é sempre terno, é tão suave que nem se escuta se ele soluça. Quando se alegra canta ciranda e de mãos dadas, faz roda de amor. Pede que cada um entre no meio, diga um verso e vá levando o amor adiante! Amor é afeição, compaixão, misericórdia. Dom Helder nos ensina: “Sem amor nada tem sentido, sem amor estamos perdidos.” Não podemos nos perder. Não vamos nos perder. A prova está aqui, a Igreja cheia como em todas as noites. Frio e chuva não impedem de se sair em busca das lições de amor. Aqui o bem querer está de corpo inteiro. Ruim é lá fora onde escurraçam o amor. Abram os portões, deixem o amor brincar nos passeios, jogar gude com as crianças, fazer gols com os adultos. Correr nas praias, mergulhar nas espumas, assistir o nascer e o por do sol. Deixem o amor por perto todo tempo, dia e noite, noite e dia! Onde ele chegar a violência vai fugir. Amor e violência não combinam. O amor vai salvar a humanidade. Na pátria do amor a paz governa. Guerra e amor não combinam. Se o amor cresce a guerra acaba!

Quantas gente aqui se encontra para louvar a Mãe de Deus, para aprender a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, para pedir amor e paz para suas casas, para a Bahia, para o mundo. Sou mãe e avó e quero levar comigo paz, amor e sossego. Quero praticar a cada dia o Mandamento maior da lei de Deus. Aqui não é minha Paróquia, não faço parte do Quartel, não moro na Cidade Baixa, mas estou me sentindo em casa. Esta casa é de Maria, Senhora Minha, Ela foi, é e será sempre minha Mestra. Quero ser Sua aluna sempre. Quero ter ainda a inocência do tempo em que cantava “Mãezinha do Céu eu não sei rezar”, ou repetia feliz olhando os anjos no altar:”Virgem recebe esta coroa, que Te oferece o nosso amor”

 Agora, já cheia de cabelos brancos digo baixinho:

 

“Agora lábios meus, dizei, anunciai, os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus”. Rezo e peço a Nossa Senhora, que  Ela venha em nosso socorro. Coração de Mãe é sempre consolo. Há de consolar os que perderam casas, filhos, amigos.

O poeta João de Deus nos diz:

“Maria, Tu guardaste em gozo e dor

Sempre n’alma a paz num templo

Foste na vida o nosso exemplo / Mãe do Amor!”

 

Digo a todos vocês amem. Amem sempre. Só o amor vai trazer serenidade. Amem do fundo do coração, só o amor salvará a humanidade. Na sala

de aula, nas ruas, nos ônibus, nas casas, nas mesas

derramem amor. Quem tem distribua. Quem não tem  busque nas mãos da Mãe de Jesus. Invoquem o Santo Espírito. Domingo será a festa de Pentecostes, que o Divino Espírito Santo derrame amor sobre a Terra, sobre a vida de todos nós. Espírito Santo mandai amor para o mundo.

Voltemos para nossas casas com a certeza de que nenhuma prática é mais santa e mais bela que a de amar. Que Maria cubra a humanidade do mais santo amor e que ele inspire nossas ações e guarde nossos corações. Amém. 



Escrito por Mabel Velloso às 11h26
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